Está pensando em fazer um intercâmbio High School e quer entender de verdade como essa experiência pode transformar o seu futuro?
Conheça o relato inspirador de uma Experimenter que, hoje aos 60 anos, olha para trás e reconhece o quanto seu intercâmbio aos 18 foi decisivo para toda a sua trajetória. Uma história real que mostra, na prática, o impacto profundo e duradouro que viver um High School no exterior pode trazer.
“Menina paulistana de classe média, cresci cercada por adultos que endeusavam a cultura norte-americana. Na TV, tudo parecia vir de lá: os desenhos da Hanna-Barbera, os filmes, os seriados que nos levavam direto para dentro das casas americanas. As músicas? Todas em inglês! Eu queria tanto falar aquele idioma que inventava a minha própria versão dele, enrolando a língua do jeito que conseguia. Sonhava em conhecer aquele outro ‘planeta’ e falar a língua direitinho.
Até que veio um empurrãozinho do meu irmão: ‘Se a Mônica não fosse menina, poderia bem fazer intercâmbio para os Estados Unidos.’ Ah, pronto. Era só o que me faltava! Eu nem sabia direito o que era intercâmbio, mas, naquele momento, decidi que EU IA.
Na metade do 3º ano do ensino médio, pedi para minha mãe me levar à agência da Experimento que ficava na Rua Barão de Capanema, em São Paulo, nunca esqueci esse endereço. Peguei os folders, fui pra casa convencer todo mundo e explicar como funcionava esse tal intercâmbio.
Preenchi a papelada e escolhi o programa de seis meses, indo em agosto de 1982 e voltando em fevereiro de 1983. Escrevi uma carta me apresentando e fui escolhida pela melhor família daquele país inteiro, pelo menos pra mim: os Gilmores. Um casal super simpático, com quatro crianças, moradores de uma fazenda em Roodhouse, no estado de Illinois, a umas cinco horas de Chicago. Eu andava com aquela carta para todo lado, mostrando para Deus e o mundo.
Na época da viagem, eu estava tão ansiosa que mal conseguia dormir, e eu nunca tinha andado de avião! Nosso grupo de brasileiros da Experimento chegou em Nova York e, de lá, seguimos de ônibus para Massachusetts. Ali nos juntamos a estudantes do mundo todo. Achei incrível. Lembro até hoje do Torsten, um garoto alemão, e da Kimmi, uma menina dinamarquesa. Fizemos atividades de integração, aprendemos as regras: nada de dirigir, usar drogas, e por aí vai.
Depois disso, fui enfim conhecer os Gilmores: Bill, Rosemary, Willy, C.C., Ben e Nick. Foi amor à primeira vista. Participava de tudo em casa, ajudava com as crianças, ensinava algumas comidas brasileiras e vivia andando no trator com o Bill para aprender sobre a plantação. A cidade era simples, assim como a escola. Virei quase uma celebridade na comunidade, até matéria de capa de jornal eu fui! Fiz amizades, e uma delas mantenho até hoje. E, de tempos em tempos, a Experimento nos reunia na capital, Springfield, para conversar com nossa coordenadora. Eu estava orgulhosa: já aprendia de verdade o inglês, não precisava mais inventar o meu próprio.
Me conectei profundamente com Bill e Rosemary. Me apeguei porque, aqui no Brasil, meus pais viviam um relacionamento conturbado, e encontrei naquele casal as figuras paternas alegres e estáveis que eu gostaria de ter. Depois que voltei, a saudade apertava. Fui visitá-los várias vezes, e nossa amizade seguiu firme. Em 2005, eles vieram ao Brasil e passamos quase um mês juntos.
Quando voltei, entrei no cursinho e escolhi seguir o curso de Língua e Literatura Inglesa na PUC-SP, decisão certeira para alguém apaixonada pelo idioma. Tornei-me professora de inglês e trabalhei feliz a vida inteira, até me aposentar em 2023. Dei aula em escolas renomadas e fui examinadora dos exames de proficiência Cambridge.
E foi graças a essa profissão que conheci meu marido. Ele procurava uma professora de inglês e respondeu a um anúncio meu no jornal. Eu tinha 20 anos. Estamos juntos até hoje. E nossas duas filhas também fizeram intercâmbio High School. Deu tão certo pra mim que eu queria que elas tivessem a mesma oportunidade.
No início de 2010, recebi um telefonema com uma notícia devastadora: Bill havia tido um enfarte e falecido. Fiquei arrasada. Comprei uma passagem imediatamente e fui aos Estados Unidos para o enterro. Todos ficaram muito emocionados com a minha presença.
Minha última visita foi em 2024. Eu queria rever a Rosemary, já bem idosa, e em maio passei três semanas com ela. Foi um encontro maravilhoso. Não nos víamos havia 14 anos. Rimos, relembramos histórias, vimos fotos antigas, jogamos jogos de tabuleiro. Foi tão gostoso…
Hoje, posso dizer com toda certeza que o intercâmbio foi determinante na minha vida. E tenho um carinho eterno pela Experimento por ter me proporcionado tudo isso.”
Esse relato mostra, na prática, como um intercâmbio de High School pode influenciar escolhas, relações e caminhos por toda a vida. Se você também quer viver uma experiência que transforma muito além do idioma, o High School no exterior é o primeiro passo para um futuro mais amplo e cheio de possibilidades.
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