Brenda e Pietra Fontes Berardi embarcaram para os Estados Unidos no mesmo período, com o mesmo objetivo e para viver a mesma etapa da vida: o Senior Year (último ano do High School, equivalente ao 3º ano do Ensino Médio no Brasil). Ainda assim, desde o início, ficou claro que cada uma viveria um intercâmbio único.
Mesmo gêmeas, no mesmo estado americano, Idaho, elas estudaram em cidades e escolas diferentes. E foi justamente essa combinação de tempo compartilhado e caminhos separados que mostrou, na prática, como o intercâmbio se transforma de acordo com quem vive a experiência.
Para Brenda, a adaptação ganhou forma a partir do cheerleading. O esporte apareceu quase por acaso, mas rapidamente se tornou o lugar onde ela se sentiu pertencente. Entre treinos, competições e viagens, surgiram amizades que deram sentido aos dias longe de casa.
“O cheerleading mudou tudo para mim. Não só pelos troféus ou pelas competições, mas pelas amizades que construí ali. Conheci pessoas que foram essenciais para o sucesso do meu intercâmbio e que seguem comigo até hoje.”
Brenda Fontes Berardi
Além disso, o track and field (atletismo) ampliou ainda mais sua vivência, trazendo novos desafios e pessoas que se tornaram apoio nos momentos mais difíceis.
Pietra, em outra cidade e outra escola, viveu algo completamente diferente. No cheerleading, percebeu que estava se colocando mais, confiando em si mesma e ocupando um espaço que nunca tinha imaginado ocupar. Em muitos momentos, era ela quem puxava o grupo e incentivava as outras pessoas.
Depois veio o softball, que acabou se tornando um dos esportes mais marcantes da sua vida, não pelo desempenho em si, mas pelas conexões construídas ao longo do caminho.
Enquanto a rotina seguia, Pietra também foi colhendo resultados que não estavam nos planos iniciais: o convite para integrar a The National Society of High School Scholars e a formatura com diploma de honra. Conquistas que surgiram de forma natural, dentro de uma jornada que foi só dela.
Fora da escola, as diferenças continuaram aparecendo, inclusive dentro das casas onde moravam. Brenda criou um vínculo profundo com Tony e Rachelle, sua família anfitriã, com quem construiu uma relação de cuidado e pertencimento.
“Eles me trataram como filha desde o primeiro dia. Com o tempo, entendi que família não precisa ser só de sangue. Ela pode ser construída com cuidado, respeito e apoio.”
Brenda Fontes Berardi
Pietra também se sentiu acolhida, mas de uma forma totalmente própria. No dia a dia da casa, encontrou no Baron, um pastor alemão, uma presença constante e inesperada, um afeto simples, silencioso e marcante, que acabou se tornando uma das memórias mais importantes de todo o intercâmbio.
Mesmo vivendo experiências tão diferentes, as duas compartilham algo em comum: as amizades que ficaram. Pessoas que viraram casa, mesmo à distância. Conversas que continuam, planos que seguem e vínculos que não se encerraram com o fim do intercâmbio.
A saudade existiu, assim como os dias difíceis. Mas também foi nesse espaço entre o desafio e o aprendizado que cada uma construiu sua própria versão do intercâmbio, sem roteiro, sem comparação e sem expectativa pronta.
No fim, Brenda e Pietra voltaram para o Brasil diferentes. Não porque fizeram o mesmo intercâmbio de formas distintas, mas porque o intercâmbio nunca é o mesmo para duas pessoas. Ele se molda à personalidade, às escolhas, aos encontros e ao momento de vida de quem o vive.
Mesmo dividindo o tempo e o país, cada uma construiu uma história que só poderia ter sido vivida daquele jeito. Porque o intercâmbio não acontece no lugar, ele acontece na pessoa.
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